*Luís Cláudio Chaves
O mês de março começou com o lançamento da cartilha “A Defesa e a Proteção da Mulher”, preparada pela Comissão OAB/Mulher de Minas Gerais, com apoio da Pastoral da Mulher e da Gráfica e Editora O Lutador.
A referida cartilha conta com a participação de vários juristas especializados na matéria que abordaram a violência doméstica e familiar, os direitos da mulher grávida, da empregada doméstica, da mulher com câncer, da aposentadoria feminina, bem como algumas noções básicas do direito de família. O trabalho apresenta, ainda, endereços e telefones de abrigos, centros, núcleos, institutos e coordenadorias dos direitos da mulher, defensorias públicas, juizados, delegacias especializadas e movimentos em defesa de mulheres. Escrita em linguagem simples, ao alcance das mulheres de diferentes escolaridades, o livreto foi lançado no dia primeiro de março na sede da OAB/MG, perante várias autoridades, e distribuído, gratuitamente, no dia dois de março, na Praça Sete, em Belo Horizonte.
Pesquisa nacional do DataSenado (WWW.senado.gov.br/noticias/opiniaopublica), concluída no final de fevereiro de 2011, revela que 66% das mulheres têm a sensação de que aumentou a violência doméstica e familiar contra o gênero feminino. Apesar da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) ser conhecida por grande parte das mulheres entrevistadas, o medo e o próprio rigor da lei (o fato da vítima não mais poder retirar a queixa na delegacia) inibem as denúncias. Entre as mulheres que afirmam ter sofrido algum tipo de violência e que citaram, espontaneamente, o motivo da agressão, os mais citados foram o uso de álcool e ciúmes. Uma parte considerável de mulheres agredidas, 32%, ainda convive com o marido ou companheiro agressor. A pesquisa completa revela a ascensão social e profissional das mulheres e o temor da violência.
Portanto, todo o trabalho na área da defesa dos direitos da mulher é importante para assegurar, não só o tratamento paritário entre homens e mulheres, mas para combater a violência física e psicológica a que são submetidas muitas brasileiras. Cada vez mais as mulheres vêm conquistando seu espaço na sociedade. No entanto, verificam-se, ainda, resquícios de uma sociedade patriarcal, moldada a partir de valores machistas que sugerem a alguns indivíduos a dominação do homem sobre a mulher em diversos aspectos da vida social e/ou profissional. Os elementos dessa cultura patriarcal contribuíram e contribuem muito para a violação dos direitos da mulher. Sobra desconhecimento da Constituição da República e falta consciência da alteração social em alguns homens.
O atual padrão de comportamento da sociedade, em harmonia com as regras jurídicas constitucionais e infraconstitucionais, exige o estabelecimento pleno da igualdade entre homens e mulheres, o fim da discriminação, a eliminação da violência, a isonomia para fins de remuneração e oportunidades de ascensão profissional, a participação feminina na política, dentre vários outros valores. A presença cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, sobretudo nas carreiras jurídicas, auxilia a quebra de preconceitos. O trabalho da OAB/MG é mais um esforço para reafirmar os direitos da mulher e a nossa disposição de vê-los efetivados. Nossa cartilha será entregue durante todo mês de março em diferentes locais de Minas Gerais.
*Advogado; Presidente da OAB/MG